Os erros de pronúncia mais comuns de brasileiros em inglês são: trocar o th por t, d, f ou s; ler o -ed como sílaba extra (work-ed); acrescentar um “i” no fim e no começo das palavras (Facebook-i, iscool); transformar ti em tchi; e não diferenciar vogais curtas e longas, como em ship e sheep.
Em português, quase todas as palavras terminam em vogal ou em poucos sons de consoante, como l, r, s e m. Por isso, quando uma palavra em inglês termina em outra consoante, o ouvido brasileiro completa com um “i”: Facebook-i, big-i, laptop-i, hot dog-i. Em inglês, a palavra acaba na consoante. Você fecha o som e para, sem soltar vogal nenhuma.
O “i” extra pode até mudar a palavra. Cook com “i” no fim vira cookie, cozinheiro vira biscoito. Treine dizendo a palavra e segurando a boca fechada no final: book, big, black, stop, good.
O mesmo reflexo aparece no começo. O português não começa palavras com s seguido de consoante, então school vira “iscool”, Spain vira “Ispain” e student vira “istudent”. O truque é começar com um s longo e chiado, como quem pede silêncio, e só depois emendar o resto: sss-chool, sss-pain, sss-tudent.
O -ed escrito tem três pronúncias, e só uma delas acrescenta sílaba.
| Som | Quando | Exemplos | Sílabas |
|---|---|---|---|
| som de t | depois de p, k, f, s, sh, ch | worked, stopped, laughed, washed, watched | worked tem uma |
| som de d | depois de vogais e das outras consoantes | played, lived, called, cleaned | played tem uma |
| sílaba extra “id” | só depois de t ou d | wanted, needed, visited, decided | wanted tem duas |
O erro típico é dizer “uórk-ed” ou “laik-ed”. Worked soa como “uórkt”, numa sílaba só, e liked como “laikt”. Se a palavra não termina em t ou d antes do -ed, não crie sílaba nova.
O th tem duas versões. A surda, sem vibração na garganta, aparece em think, three, thank, birthday e month. A sonora, com vibração, aparece em the, this, that, mother e brother. Brasileiros costumam trocar a primeira por t, f ou s (“tank you”, “senk you”) e a segunda por d (“de”, “dis”).
A técnica: coloque a ponta da língua levemente entre os dentes da frente e sopre o ar. Para o th sonoro, faça o mesmo e deixe a garganta vibrar, como num z. Pares que ajudam a sentir a diferença:
Na maior parte do Brasil, “tia” e “dia” soam “tchia” e “djia”. O inglês não faz isso. City não é “ci-tchi”, party não é “par-tchi”, dinner não é “djinner”. No inglês americano, o t entre vogais costuma virar um toque rápido da língua, muito parecido com o r de “caro”: water soa próximo de “uórer”, city de “ciri” e better de “bérer”. Usar esse r brasileiro é um atalho que funciona bem para o sotaque americano.
Em boa parte do Brasil, o r de “rato” sai do fundo da garganta e soa como um h aspirado. Levado para o inglês, ele faz red soar como head e rat soar como hat. O r inglês não encosta em nada: a língua fica curvada para trás, sem tocar o céu da boca, e os lábios se arredondam um pouco. Quem conhece o r caipira de “porta”, do interior de São Paulo, já tem um som bem próximo.
A vantagem é que esse mesmo r de “rato”, feito bem suave, serve como o h do inglês: house, hello, happy, hotel. É só um sopro leve, sem raspar a garganta.
Brasileiros transformam o l final em “u”: Brazil vira “Braziu”, hotel vira “hoteu”, feel vira “fiu”. Em inglês, a língua precisa tocar atrás dos dentes de cima no final. Isso separa pares como “I'll” e “I”, que no ritmo da frase ficam iguais quando o l some.
Com o m final acontece algo parecido. Em “bom” ou “tem”, o português nasaliza a vogal e não fecha os lábios. Em inglês, time, room, him e team terminam com os lábios fechados. Sem isso, team e teen ficam idênticos.
O português não diferencia vogais pela duração, mas o inglês sim, e a diferença muda o significado. O i curto de ship, live e sit é relaxado, rápido, fica entre o nosso “i” e o “ê”. O i longo de sheep, leave e seat é um “i” bem esticado.
| Curta | Longa |
|---|---|
| ship (navio) | sheep (ovelha) |
| live (morar) | leave (sair) |
| sit (sentar) | seat (assento) |
| full (cheio) | fool (bobo) |
| pull (puxar) | pool (piscina) |
Atenção especial a beach, sheet e piece. As três têm vogal longa, e ditas curtas demais viram palavrões conhecidos. Estique o “i” sem medo.
Palavras parecidas com o português enganam porque a gente mantém a sílaba forte do português.
| Palavra | Sílaba forte em inglês | Observação |
|---|---|---|
| comfortable | COM | costuma soar com três sílabas: “cômf-ter-bol” |
| vegetable | VEG | também três sílabas: “védj-ta-bol” |
| chocolate | CHOC | muitas vezes duas sílabas: “tchók-lit” |
| interesting | IN | muitas vezes “ín-tres-ting”, sem a sílaba “te” |
| develop | VEL | de-VEL-op |
| photographer | TOG | diferente de PHO-to-graph |
| hospital | HOS | forte no começo, não no fim |
Escolha um som por semana e trabalhe só nele, em frases inteiras: “I worked on Thursday, then I stayed at the hotel.” Grave, ouça e compare. Falar com alguém que responde na hora, como uma tutora de voz ou um atendente de verdade num balcão de hotel, mostra rápido se você foi entendido.
Depende do som final do verbo. Depois de p, k, f, s, sh e ch soa como t (worked). Depois de vogais e outras consoantes soa como d (played). Só depois de t ou d vira uma sílaba extra (wanted).
Porque o português raramente termina palavras em consoantes como k, g ou p, e o ouvido completa com uma vogal. Em inglês a palavra acaba na consoante: feche o som e pare.
Ponha a ponta da língua levemente entre os dentes da frente e sopre. Para o th de this e mother, faça o mesmo deixando a garganta vibrar.
Ship tem um i curto e relaxado, entre o nosso i e o ê. Sheep tem um i longo e esticado. Trocar um pelo outro muda a palavra.
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